"De cada vez que me sento no chão para brincar com as minhas netas, e sinto uma guinada violenta nas costas, tenho a certeza de que se é verdade que os avós não estragam os netos, não há dúvida nenhuma de que os netos estragam os avós! Que o diga a coluna vertebral de todos aqueles que passados os cinquenta anos, tentam fazer as acrobacias de que eram capazes quando eram pais, tais como pendurar a criança numa das ancas, saltar com ela ao colo por cima de um muro mais alto, tirá-la do parque de uma assentada, ou segurá-la no topo de um escorrega.
O que vale é que as façanhas deles (a Carmo e a Madalena já andam, e falam pelos cotovelos como a avó!!!) nos ajudam a esquecer que o tempo passa da mesma forma para todos, e que enquanto eles crescem e se tornam a cada dia mais capazes, nós perdemos uma habilidade qualquer, senão mental, pelo menos motora, numa lista de achaques que aumenta vertiginosamente. Calma, não estou a fazer o epitáfio dos avós, mas apenas a constatar aquilo que por vezes tentamos escamotear, na ânsia de ajudarmos os nossos filhos, e de fazermos as suas vezes: ficamos de língua de fora com mais facilidade, é um facto.











