09 maio 2013

Brinquedo... com dedos

Um destes dias, a Matilde esteve com febre e como no dia anterior tinha vomitado e queixava-se de dores na cabeça, decidi passar pelo Hospital só para me certificar que se tratava de mais uma das nossas amigas viroses. Confirmadíssimo! Por indicação do médico, devia ficar sob vigilância, e fiquei então em casa com os meus três terrores. Sob o efeito do Ben-U-Ron, ninguém diria - e muito menos o vizinho do andar de baixo - que algum deles estava doente. 
Parecia mais um dia normal na minha casa, não fosse o episódio que se segue, que me deixou com um misto de desilusão e por outro lado de consciencialização que os nossos filhos crescem tão depressa e sofrem tantas influências, boas e más, dos amigos, da escola, etc., etc., que deixamos de ter controlo sobre tudo o que se passa com eles. E passamos a controlar muiiiito pouco. Tudo isto para contar que, pela primeira vez, pelo menos que me tivesse apercebido, o Rodrigo mentiu-me "com todos os dentes". Estava na sala com a Matilde e o Rodrigo a brincar noutro quarto com a Mariana. De repente, chega a Mariana, desfeita em lágrimas, a dizer que o Rodrigo lhe tinha batido, ao mesmo tempo que apontava para as nádegas. E lá estavam eles, bem desenhados os 4 dedinhos do sr. Rodrigo, tão valente que foi a palmada. Peguei na Mariana e fui confrontar o Rodrigo. E claro, respondeu-me que não tinha sido ele. Depois de insistir várias vezes para me contar a verdade e para ver até que ponto ele aguentava a mentira, mostrei-lhe o rabito da irmã e perguntei:
- Então, Rodrigo, se não foste tu que bateste na mana, de quem é que são "estes" dedos?
E pensei eu cá para os meus botões: - Agora deixa lá ver como é que te safas desta!
De olhos bem arregalados, encolheu os ombros, e respondeu-me com tom indignado por ainda estar a duvidar dele:
- Não sei mamã, eu não fui! Olha, se calhar a mana magoou-se nalguma coisa "com dedos"!!!
Posto isto, ele próprio percebeu o ridículo da sua justificação e rapidamente viu que não valia a pena manter a mentira. Levou um valente raspanete, mais pela persistência na mentira do que propriamente por ter batido na mana. 
Na verdade, acho que eu ainda não estava preparada para isto, se é que alguma vez os pais ficam preparados para as primeiros desapontamentos dos filhos. Crescem tão depressa! E com eles, o bom e o mau.